2006-01-03

.: Espera :..

No me has hecho sufrir
sino esperar.

Aquellas horas
enmarañadas, llenas
de serpientes,
cuando
se me caía el alma y me ahogaba

In Tú venías por Pablo Neruda

2006-01-02

(Ausente)

Me gustas cuando callas porque estás como ausente,
y me oyes desde lejos, y mi voz no te toca.
Parece que los ojos se te hubieran volado
y parece que un beso te cerrara la boca.

Como todas las cosas están llenas de mi alma
emerges de las cosas, llena del alma mía.
Mariposa de sueño, te pareces a mi alma,
y te pareces a la palabra melancolía.

Me gustas cuando callas y estás como distante.
Y estás como quejándote, mariposa en arrullo.
Y me oyes desde lejos, y mi voz no te alcanza:
déjame que me calle con el silencio tuyo.

Déjame que te hable también con tu silencio
claro como una lámpara, simple como un anillo.
Eres como la noche, callada y constelada.
Tu silencio es de estrella, tan lejano y sencillo.

Me gustas cuando callas porque estás como ausente.
Distante y dolorosa como si hubieras muerto.
Una palabra entonces, una sonrisa bastan.
Y estoy alegre, alegre de que no sea cierto.

Me gustas quando callas, Pablo Neruda

2005-12-22

Vidas erradas

Ele branco. Ela preta. Ele de gorro, meio hippie, imerso no convencionalismo boçal do lanche de Natal dos escuteiros. A sua roupa é uma declaração de diferença. De superioridade. O seu casamento também.

Misantropia

Talvez tenha sido a observação do mundo, a descoberta da absoluta mediocridade de tudo e todos que me tenha libertado da timidez. Ou melhor, que a relegou para as raras ocasiões em que quem me rodeia tem um mínimo de inteligência, de interesse, de brilho. O resto é inútil, trivial, inconsequente, profundamente estúpido. Um cacarejar constante de palavras inúteis, meras descrições de actos triviais, mecânicos. Tudo é liso. Tudo é superficial. Até a profundidade que raramente se julga encontrar não passa de ilusão.

Os adultos, atarefados, preparam a mesa para o lanche de Natal dos escuteiros.

Em breve todos estarão mortos. Deles só os genes nos descendentes, que perpetuarão a sua irremediável imbecilidade.

Para que haja paz...

Precisamos de uma guerra. Final. Total. Então descansaremos. Em paz.

Somos humanos por sermos maus. A maldade define-nos. Sem uma mudança de natureza, é incurável. Enquanto houver um humano haverá guerra.

(A resposta que não dei na festa de Natal dos escuteiros.)

2005-11-25

Revolução

Tenuemente embalados pelo tédio, pela rotina, pelos futebóis e a televisão, vamos vivendo inutilmente, estupidamente. Um dia, agitados pela voz da demagogia, erguemo-nos numa onda de que queremos ser minúscula e determinística partícula e caímos, gigantesco e amoral maremoto, sobre as costas indefesas. Quais partículas de água, julgamo-nos irresponsáveis, amorais, inimputáveis. Julgamo-nos? Não. Queremos ser - mas não somos.

2005-11-05

For Paxixa and Tim

Here I am, looking at my beautiful wife, lying down, my son sleeping peacefully on my lap. The loudspeakers revive David Mourão Ferreira saying one of his poems. Another of his poems comes to my mind:
Dorso
terso
morno
denso
Corpo
nu

Horto
Berço
Torso
tenso
Torre
Tu
His poem is now mine. The final “tu” is Teresa.

I also remember Avô António, the perfect grandfather, and Avó Quitéria, his beautiful, slightly wicked, intelligent wife. They were together till death did them apart.

My wish is that you also, as they did, and as we hope to do, live lovingly together until death does you apart.

2005-10-08

Térmitas planetárias

Como uma casa invadida pelas térmitas, a Terra está também condenada, invadida que está pelos laboriosos humanos. Ninguém a chorará.

Ruído

Cacofonia humana ou silêncio? Silêncio.

Niilismos

A horrível verdade é que a vida humana é incompatível com o bem. O suicídio é o único acto sem mácula.

2005-10-03

Brincadeiras de adulto

Leio sobre a liberdade e as leis. Comento o livro, interessado. Notas nas margens, sublinhados, setas, cantos marcados. Critico, proponho, alegro-me ao descobrir a frase certa, o argumento perfeito, a metáfora ideal. Afundo-me na argumentação mais densa. Relaciono com trexos do texto anteriores. Descubro supostas contradições. Imagino-me autor, escrevendo de novo, e melhor, sobre a liberdade. Ilusão comum, reconheço. Levanto os olhos e vejo o mar a bater no rolo, a água a cair em cascata pelas arribas. Uma beleza aleatória, inumana, quase anti-humana, de tão clara que deixa a nossa irrelevância. Não servimos para coisa alguma. Nem a palavra "servir" tem sentido.

Água a cair. O universo é nada.

Predestinações

Aqueles colegas grandes, maus, que nos batiam e humilhavam no recreio com prazer evidente, onde estão eles? Quem são? O pai de família barrigudo, batendo na filha imbecil e teimosa, no meio de uma família de falhados? O político de sucesso? Os Jorges Coelhos e Isaltinos deste mundo, sempre impantes e satisfeitos, sempre seguros do alto da sua estupidez?

Espécie invasora

Não há natureza sobre a terra. Ainda a há no mar.

Portugal 3

Esgoto e merda. Mãos sebentas. Balcões imundos, onde panos enegrecidos espalham a gordura uniformemente. Desmazelo.

Portugal 2

Um escarro no chão, um papel de gelado a voar ao vento, uma beata na areia, um preservativo a boiar no mar. Cloaca do mundo.

Portugal 1

Gente feia, mal vestida. Carros feios ao acaso. Lixo, entulho. Improviso. Desaprumo. Povoações feias que se unem num horror contínuo. Raramente, um oásis recorda-nos que vivemos num deserto de beleza. Portugal é um enorme subúrbio da Europa.

2005-09-22

Paradoxo

Deus, por definição, não tem definição.

2005-09-04

Galeria

Somos todos iguais. Gostava de ser o Quino e fazer uma galeria de tipos humanos. Um pequeno caderno bastava.

Destruição

Olho condescendente as crianças atarefadas, transportando baldes de areia e água, construindo muros, destruindo montes, abrindo e tapando buracos, moldando a areia, vendo a água apagar para sempre o seu trabalho. Tola condescendência. Toda a nossa vida construímos os mesmos castelos na ilusão de que é possível construir alguma coisa. As ondas do tempo são mais lentas que a nossa vida. É fácil a ilusão. Nem precisamos da ingenuidade infantil.

sem título

Alimento de micróbios, pasto de melgas. Máquinas de digerir à solta.

Solidão

Quem é a mulher que brinca com o cão, que lê um bom livro, deitada na toalha, que sorri satisfeita? Satisfeita? Chorará, à noite?

Fragilidades

Não haver um corpo onde me deitasse, como o meu filho no meu se deita, onde pudesse ressonar, tranquilo, como ele sobre mim ressona.

Convalescença

A longa convalescença, de duração desconhecida... A espera pelo fim, pelo momento em que dizemos "Basta! Acabou!". Curámo-nos? Melhorámos? Ou adaptámo-nos a uma aceleração brusca da nossa degradação contínua até à morte? As doenças matam-nos e ensinam-nos a morrer. Aos poucos.

Pequena perfeição

Linda e perfeita. Delicada. Frágil. Agora, todos me parecem grandes, feios. Grotescos.

2005-09-01

Crioulos

Todas as línguas são crioulos. Orgulhamo-nos todos de defender uma língua que é fruto da ignorância. Uma língua de cultos é uma língua morta.

Oxímoro

Todas as falsidades contidas neste blogue são verdadeiras.

2004-12-23

Umbiguismos

É fácil reconhecer nos outros os nossos próprios defeitos. Conhecemo-los bem.

Condão

Quando era criança, imaginava uma varinha de condão que me permitiria alterar o mundo, compondo-o, resolvendo assim o que imaginava serem os seus problemas. Hoje, procuro em vão uma varinha de condão que me permita alterar-me, compor-me, resolvendo os que sei serem os meus problemas.

2004-12-08

Fragilidades

Aqueço entre as minhas as mãos frias da vizinha. Deitei-a na cama, depois de lhe vestir um casaco. Entrei em sua casa usando a chave que me passou pela janela, em equilíbrio precário sobre uma vassoura. Foi a Mónica que me avisou dos seus gritos, da sua confusão. Agora, espero o seu irmão, que chegará nervoso, quase tão confuso como ela. É a mesma vizinha que nos acusou de vir mudar os hábitos do prédio quando para aqui mudámos. Nunca fui capaz de ultrapassar esse acto de antipatia, apesar da forma quase simpática com que desde então ela nos trata e pergunta pela família e, sobretudo, pelo João. Até hoje. Somos frágeis, muito frágeis.

2004-12-06

Wendy

"As you look at Wendy, you may see her hair becoming white, and her figure little again, for all this happened long ago. Jane is now a common grown-up, with a daughter called Margaret; and every spring cleaning time, except when he forgets, Peter comes for Margaret and takes her to the Neverland, where she tells him stories about himself, to which he listens eagerly. When Margaret grows up she will have a daughter, who is to be Peter's mother in turn; and thus it will go on, so long as children are gay and innocent and heartless."

"Gosto muito de ti, pai". Chorei e dei-lhe um daqueles abraços de que ele tanto gosta. Também ele abraçará os seus filhos, e estes os seus, enquanto a obra de J. M. Barrie, perene, for lembrando a gerações sucessivas a brevidade das nossas vidas.

Invejas

Na livraria Bulhosa encontro uma biografia.
De um cientista por outro cientista.
Tenho esta inveja de quem se apaixona pela
vida, pela obra, de outrém e decide sobre ela
investigar, escrever.

Prisões

Confesso ao Manel que me sinto preso. Atento, corrige-me:
"Não será isso não teres planos?"
Acertadíssimo. De facto, não há maior prisão que não se saber para onde se quer ir.

2004-11-04

Cansaço

Ruídos ao longe. A sala fria. Um vizinho que martela um prego na parede, sob os meus pés. Os olhos desfocam-se-me, procurando o infinito, ou o nada, atrás do ecrã. O João dorme. Adormeceu em paz, ao meu colo, na ignorância do meu cansaço, da minha ausência de esperança, do meu vazio. Pesa-me o corpo e pesa-me a mente. Os dedos descaem sobre as teclas e sobre os botões do rato. É preciso um esforço consciente para os levantar.

2004-10-31

Um Livro

Capa dura, coberta por uma sobrecapa de um quase vermelho, sóbrio. Composição perfeita: ilustração a meio, autor e título por cima, em belo tipo. Abre-se e a surpresa aumenta. O interior, se isso é possível, supera a sobrecapa. As guardas num papel texturado e algo brilhante. Depois, o ante-rosto, onde se adivinha a magnífica tipografia do resto do livro. Pensamos que a gramagem desta página é excepcional até chegarmos ao frontispício, onde se repete o ante-rosto, mas em maior tipo e na mesma bela cor da sobrecapa. Compreendemos então que todo o livro está impresso neste papel de excelente cor e toque. Chegados ao primeiro capítulo, confirmamos, como vínhamos a suspeitar, que a composição deste livro foi feita por verdadeiros artistas. Mais simples seria impossível. Mais perfeito também. A mancha impressa ocupa uma área não muito grande em cada página. Nas páginas com ilustrações, pelo contrário, não há quaisquer margens. São cerca de 210 páginas de "As Aventuras de Pinóquio", de Carlo Collodi, com belas ilustrações de Paula Rego.

Únicas críticas: os comentários desnecessários às ilustrações, uma tradução de Margarida Periquito com uma ou outra falha irritante e poucas gralhas.

A editora é a Cavalo de Ferro, uma revelação recente.

Exibicionismo

A diferença entre o diário e a ficção é a diferença entre entre a confissão na primeira ou na terceira pessoa. O que num é exibicionismo, no outro é alusão e ambiguidade. Prefiro a coragem do exibicionismo.

2004-09-13

Domingo em Lisboa 8

Queria estar num barco, junto ao Ilhéu de Monchique, ouvindo o compasso das ondas medir, irregular, a curta duração das nossas vidas.

Domingo em Lisboa 7

Que saudades do tempo em que não tinha pudor de mijar ao ar livre, contra uma parede. Hoje tenho de suportar casas de banho infames, com o cheiro concentrado de milhares de mijadelas que falharam o alvo, onde para chegar à retrete ou ao urinol há que procurar um caminho secreto escondido sob um pântano de mijo e merda.

Domingo em Lisboa 6

As democracias têm horror à repressão que poderia manter as suas cidades vivíveis. Os seus cidadãos, ironicamente, refugiam-se nos centros comerciais, únicos locais onde a repressão é tolerada.

Domingo em Lisboa 5

Houve um tempo em que via beleza no meio da sordidez e da miséria. Nessa altura terminava os meus passeios por Lisboa cansado, mas satisfeito. Hoje, pelo contrário, é um pesadelo. Os meus olhos não vêem senão o que incomoda, o que perturba, o que entristece. A casa é o meu refúgio. Tornar-me-ei pálido, transparente. Fugirei do mundo. Passarei o resto da vida vendo telejornais e comprando na Internet livros que nunca lerei.

Domingo em Lisboa 4

Gente feia. Suada. Mal vestida. Gente triste. Cafés deprimentes. Tascas escorrendo surro pelas portas, enegrecendo um passeio já cinzento de poluição. Só a chuva se adequa a esta gente, a esta cidade. O sol, cruel, expõe sem piedade a sordidez lisboeta.

Domingo em Lisboa 3

Quantos anos até se reconhecer a nossa própria menoridade? Até ser capaz de admitir a nossa incompetência? Há sempre uma esperança de redenção, sempre uma expectativa. Amanhã começará uma nova fase na nossa vida, dizemo-nos. De realização, felicidade, sucesso. Agarramo-nos como náufragos a pequenas ilhotas de sucesso, rochedos batidos pelas ondas de um mar de derrotas, que conseguimos em sonhos transformar em continentes. Felizes os que se sabem iludir. A única alternativa é a coragem do suicídio.

Domingo em Lisboa 2

Em 38 anos de vida, tive a sorte de nunca conseguir visitar o Claustro da Sé. Até hoje. É deprimente. Negro de fumo, ruína, abandono. Abandono não: antes a negligência de quem não lhe parece reconhecer valor. Tristeza e cinzento. São estas, de resto, as principais características da nossa cidade que alguns dizem branca. Cidade suja, cinzenta, triste, medíocre. A capital certa para um povo também ele sujo, cinzento, triste e medíocre.

Domingo em Lisboa 1

Uma barraca na Rua Augusta, as goteiras remendadas com sacos de plástico e fita de embrulhos, vende livros manuseados, inúteis.

2004-09-04

Pecado mortal 1

Não gosto que me tratem com deferência: sinto-me mal por me sentir bem.

Eternal Sunshine of the Spotless Mind

Sou dos que chora durante os filmes. Dos que ficam para trás, disfarçando lágrimas, fingindo interesse no genérico final.

Hoje foi diferente. Vi o filme e, quando terminou, e só então, chorei. Uma pequena pérola. Pura poesia.

Afelicidade

10 anos feliz. 10 anos confuso. Depois afeliz.

A non riddle

Afraid I'm not
to break this yellow draped circle
and enter unvisited ground.
No evil can come to me,
not now, that I've plunged deep
and know what my inner colour is.

Jardim português

Destrói-se, para nada construir. Entre a natureza intocada e o jardim japonês não há nada.

sem título

Perejil-do-mar em flor sobre basalto.

sem título

Um sossego onde não há silêncio. Só os ruídos do vento, da chuva, ou dos pássaros.

Lamento

Eles vêem-nos envelhecer, nós vemo-los crescer. Nós já conformados com o fracasso. Eles ainda certos do sucesso. A meio o difícil período da aceitação da própria mediocridade.

Niilismos

Nada sobre nada. Caca de mosca num vidro partido de uma casa abandonada.

Niilismos

Gente. Tiques. Ritos. Rictos. Seis mil milhões de vezes repetidos. Julgamo-nos todos únicos.

Umbiguismos

Como amigo, o meu principal defeito é esquecer os amigos.

Auto-ajuda

Quem aos 38 anos descobre a sua irrecuperável mediocridade tem um única solução: explorá-la, expondo-a. Ser diferente, mostrando ser absolutamente igual. Depois, finda a breve glória, morrer lenta e irrelevantemente.

Identificadores

É curioso. Quando vejo "Manuel", identifico-me. Seis letras. Sinto sempre como um roubo haver mais pessoas com este nome.

2003-11-14

Desadequações

Sou um contemplativo num mundo activo.

2003-11-13

Personagens

Personagens à força do filme da vida.

2003-11-12

Não era para ser assim

De facto não era para ser um blogue de poesia a metro, mas a realidade pode sempre ser mais surpreendente que a ficção.
Isto porque fui "convidado" a escrever a letra para uma música a levar a um festival vicarial da canção.
Como é poesia "a pedido", recusei ao início, mas acabei por aceitar. Espero que não saia daqui uma daquelas poesias "a metro".
O tema é: "Queremos ver Jesus" e inspirada na passagem de S. João (Jo ). É aqui o ponto de partida.

2003-09-01

Sombras

Ontem senti-me sombrio como um bosque de pinheiros mansos.

Esconderijos

Ao sair para férias escondeu as suas jóias o melhor que pôde. Ao regressar não as encontrou. Esqueceu para sempre o esconderijo perfeito. No ano que vem tentarei fazer o mesmo com os meus defeitos.

2003-08-15

Supermemory

And, here is Tamara's second choice...
Poema #20
por Pablo Neruda en
"20 poemas de amor y una cancion desesperada"
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.

Escribir, por ejemplo: "La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos."

El viento de la noche gira en el cielo y canta.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.

En las noches como esta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.

Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.

Oir la noche inmensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche esta estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque este sea el ultimo dolor que ella me causa,
y estos sean los ultimos versos que yo le escribo.
Poem #20
by Pablo Neruda in
"20 love poems and a desperate song"
I can write the saddest verses tonight

Write, for example, "The
y tiritan, blue, the celestial bodies, far away."

The night wind spins in the sky and sings.

I can write the saddest verses tonight.
I wanted her, at times she wnated me too.

In nights like this I hold her in my arms.
I kissed her so many times under the infinite sky.

She wanted me, at time I wanted her too.
How not to have loved her big still eyes.

I can write the saddest verses tonight.
To think that I don't have her. Feel that I've lost her.

To listen to the imense night, more imense without her.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche esta estrellada y ella no está conmigo.

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.

Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido.

Porque en noches como esta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.

Aunque este sea el ultimo dolor que ella me causa,
y estos sean los ultimos versos que yo le escribo.

2003-08-11

Carry on

Tocando em frente
por Almir Sater - Renato Teixeira
Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte, mais feliz quem sabe
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei.
Eu nada sei.
Conhecer as manhas e as manhãs,
O sabor das massas e das maçãs.
É preciso amor para poder pulsar,
É preciso paz para poder sorrir,
É preciso chuva para florir...
Penso que cumprir a vida seja simplesmente
Compreender a marcha, ir tocando em frente,
Como um velho boiadeiro levando a boiada,
Eu vou tocando os dias pela longa estrada
Eu vou, estrada eu sou...
Todo mundo ama um dia, todo mundo chora
Um dia a gente chega, no outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história.
Cada ser em si carrega o dom
de ser capaz de ser feliz.
Carring on
by Almir Sater - Renato Teixeira
I'm walking slowly because I was once in a hurry
And I carry this smile because I've cried too much.
Today I feel stronger, happier who knows
I only have this certainty that very litle I know.
I know nothing.
To know the tricks and the mornings.
The flavour of pastas and apples.
One needs love so that one may pulse
One needs peace so that one may smile,
It needs rain so that it may blossom,
I believe that to fulfill life is simply
to understand the motion, to carry on,
as an old cowboy herding the catle,
I'm driving the days trough the long road
I'm carring on, road I am...
Everybody loves one day, everybody cryes
One day we arrive, the other we leave,
Each one of us makes one's own history,
Each living being bears in itself the gift
to be able to be happy.

El Che in Love

In 1950 Eduardo Guevara, "el Che", meets Maria del Carmen Ferreyra, "Chichina".
In a letter dated from October the 20th, 1951, addressed to her, Eduardo Guevara confesses a primal fear.
The paradoxical sparkle of those green eyes told me that it would be dangerous to fall asleep in them...
In 1951 "el Che" is summoned by the "road call". In his "Traveler's Notes", the entry that records the fairwell to Chichina is a translation of a poem by Otero Silva.
I heard the squelching sound of her shoeless feet in the boat
And could imagine those night-time signs of hunger.
My heart was a pendulum, swinging between her and the road.
Where did I find the strength to free myself from her eyes?
I slipped from her arms.
She stood, clouding her distress with tears,
beyond the rain and the window.
But she couldn't bring herself to call after me:
"Wait! I'm coming with you!"

2003-08-06

Forfeit

Zadie Smith
in "White Teeth"


And she add not paid a high price. Only love. Just love.
And whatever Corinthians might say, love is not such a
hard thing to forfeit, not if you've never really felt it.
More plagiarisms ...

Poema XLIV : Mediodía
por Pablo Neruda en "Cien sonetos de amor"
Poem XLIV : Midday
by Pablo Neruda in "100 love sonets"
Sabrás que no te amo y que te amo
puesto que de dos modos es la vida,
la palabra es un ala del silencio,
el fuego tiene una mitad de frío.

Yo te amo para comenzar a amarte,
para recomenzar el infinito
y para no dejar de amarte nunca:
por eso no te amo todavía.

Te amo y no te amo como si tuviera
en mis manos las llaves de la dicha
y un incierto destino desdichado.

Mi amor tiene dos vidas para armarte.
Por eso te amo cuando no te amo
y por eso te amo cuando te amo.

You should know that I don't love you and I do
kiven that there are two ways in life
the word is a silence's wing
the fire has a cold half

I love you so that I can start loving you
to restat the infinite
and to never stop loving you
therefore and albeit I don't love you

I love you and and I don't as if I had
in my hands Fortune's keys
and an unfortunate uncertain destiny

My love has two lifes to love you
That's why I love you when I don't
and that's why I love you when I do

2003-08-03

If you could choose the love poem...

Rui would choose...

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

Manuel would choose... two...




Amor é fogo que arde sem se ver
por Luis Vaz de Camões
Love is fire that burns without flame
by Luis Vaz de Camões
Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que doi e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem-querer;
É solitário andar por entre a gente;
É um não contentar-se de contente;
É cuidar que se ganha em se perder

É um estar-se preso por vontade;
É servir, a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode o seu favor
Nos mortais cora�ões conformidade,
Sendo a si tão contrário o mesmo Amor?
Love is fire that burns without flame,
It's wound that hurts and can't be felt,
It's a un-contented contentment,
It's pain that causes madness without hurt

It's wishing no more than well-wishing
It's solitary wandering among people
It's never be contented of contentment
It's to believe that one gains by loosing oneself

It's to be confined by one
It's to serve, to who wins, the winner;
It's to be loyal to whom kills us.

But how can it be favoured
conformly in mortal hearts
Being Love so oposite to himself




Chama e Fumo
por Manuel Bandeira
Flame and Smoke
by Manuel Bandeira
Amor - chama, e, depois, ...fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimado o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo ele é gosto e graça
Amor, fogueira linda a arder
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima... O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas... tem de ser...
Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...
Love - flame, and, then, smoke...
Ponder on what you are to do:
The smoke comes, the flame goes...

Cruel delight, scarse fortune,
Master of mine and your being,
Love - flame, and, then, smoke...

So much it burns! and, by misfortune
Burnt what there is best,
The smoke comes, the flame goes..

Passion most pure or wanton,
Sad or happy, sorrow or pleasure
Love - flame, and, then, smoke...

To evevery couple that the dawn embraces
how is the dust!
The smoke comes, the flame goes...

Before, it's all delight and grace
Love, beautyful burning fire...
Love - flame, and, then, smoke...

Although, as soon is satisfied
(How can I put this?...)
The smoke comes, the flame goes...

The flame burns... smoke.
It's so sad! But... that's how it is.
Love? ... and, then, smoke:
The smoke comes, the flame goes...


2003-08-01

Sonho meu, sonho meu

This samba-song is dancing today on my PC:
Sonho meu
Sonho meu
Sonho meu
Vai buscar
quem mora longe
sonho meu

Sonho meu
Sonho meu
Vai mostrar
esta saudade
Com a sua liberdade
sonho meu

No meu céu
a estrela guia
se perdeu
a madrugada fria
só me traz melancolia
sonho meu

Sinto o canto da noite
na boca do vento
Fazer a danca das flores
no meu pensamento
Traz a pureza de um samba

Sentido marcado
de uma agua de amor
O samba que mexe
no corpo da gente

Um vento vadio
embalando a flor
sonho meu
My dream
My dream
My dream
Go and bring
who lives far away
my dream

My dream
My dream
Go and reveal
this longing
In your freedom
my dream

In my sky
the guide start
is lost
the cold dawn
brings me only melancholy
my dream

I fell the song of the night
in the wind's lips
Making the flowers dance
in my thought
brings the purity of a samba

Senses casted
by a water of love
The samba that stirs
in our body

An idle wind
swaying the flower
sonho meu

A antologia poética do João

Cão
Cão passageiro, cão estrito,
cão rasteiro cor de luva amarela,
apara-lápis, fraldiqueiro,
cão liquefeito, cão estafado,
cão de gravata pendente,
cão de orelhas engomadas,
de remexido rabo ausente,
cão ululante, cão coruscante,
cão magro, tétrico, maldito,
a desfazer-se num ganido,
a refazer-se num latido,
cão disparado: cão aqui,
cão além, e sempre cão.

Cão marrado, preso a um fio de cheiro,
cão a esburgar o osso
essencial do dia a dia,
cão estouvado de alegria,
cão formal da poesia,
cão-soneto de ão-ão bem martelado,
cão moído de pancada
e condoído do dono,
cão: esfera do sono,
cão de pura invenção, cão pré-fabricado,
cão-espelho, cão-cinzeiro, cão-botija,
cão de olhos que afligem,
cão-problema...

Sai depressa, ó cão, deste poema!

2003-06-12

Good times two

A double bill at the Dukes "Show me love" and "Together".
The best description "Very humane".

Love, pain, anger, knowing yourself, your worst nightmare,
teenager preassures, falling in love for the first and for the 1001th
time, personal memories, laugh, open relatioships, ABBA songs,
huge frame glasses, kindness to the point of insanity, football ...
when we where kids and had quite fashionable cothes...
"You know... I think I'm in love"... "Who's him you gotta tell me
whom he is!" ... "It's someone very close to you"
I loved them! I loved them! I LOVED THEM! Tack Tamara!

2003-06-03

Almas e prémios...

Citando o jornal Público:
Numa entrevista ao "Jornal de Letras", em Dezembro de 1997, a autora do "Cavaleiro da Dinamarca" descrevia assim a sua faceta de poetisa: "A poesia é das raras actividades humanas que, no tempo actual, tentam salvar uma certa espiritualidade. A poesia não é uma espécie de religião, mas não há poeta, crente ou descrente, que não escreva para a salvação da sua alma - quer a essa alma se chame amor, liberdade, dignidade ou beleza"
Não é exactamente assim, Sofia. Não salva apenas a sua alma, mas a de muita outra gente também. Gosto mesmo de si.

2003-03-23

Um amigo

Diz o texto, para mim sagrado, para outros apenas poesia, que quem tem um amigo achou um tesouro de valor incalculável.

Posso apenas traduzir um dos poemas que o Manel aqui colocou.

Madrigal
The sun light meets the moon
meets the moon, falls in the sea..
From the sea ascends to your face,
And shines in your eyes.

And you look in the lonely eyes,
In the eyes that are yours... That's
How I feel in lunar eCStasIEs
The sun light singing in me...

2003-03-22

Manuel Bandeira

A tendência para a poesia será, provavelmente, uma questão de genes: haverá talvez um gene que determina quão poéticos ou prosaicos somos. Aqui me confesso prosaico de todo. A minha luta com a poesia vem de longe: nunca a percebi e sempre me frustrou. No entanto, se ainda continuo a minha solitária luta com ela, isso deve-se a meu pai, que me lia em criança o "Trem de Ferro", de Manuel Bandeira. Para mim esse poema continua a ser a poesia no seu estado puro. Se preciso de alento para avançar poema adentro, lembro-me dele. "Café com pão/Café com pão/Virge Maria que foi isso maquinista?"

Há umas semanas, em casa de meus pais, redescobri numa prateleira uma antologia de Manuel Bandeira. Não tive coragem de a pedir a meus pais: não se pede facilmente o que é precioso... Decidi então comprá-lo, mas procurei em vão: neste momento não há em Portugal qualquer livro deste autor disponível. Mesmo no Brasil, na Livraria Cultura, só encontrei um os "Melhores Poemas de Manuel Bandeira", uma selecção de Francisco de Assis Barbosa. Aqui ficam algumas transcrições, até para me redimir do pecado de ter começado por partilhar o "Chama e Fumo" no Picuinhices, blogue (falso) gémeo deste:

Chama e fumo
Amor é chama, e, depois, fumaça...
Medita no que vais fazer:
O fumo vem, a chama passa...

Gozo cruel, ventura escassa,
Dono do meu e do teu ser,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Tanto ele queima! e, por desgraça,
Queimando o que melhor houver,
O fumo vem, a chama passa...

Paixão puríssima ou devassa,
Triste ou feliz, pena ou prazer,
Amor - chama, e, depois, fumaça...

A cada par que a aurora enlaça,
Como é pungente o entardecer!
O fumo vem, a chama passa...

Antes, todo ele é gosto e graça.
Amor, fogueira linda a arder!
Amor - chama, e, depois, fumaça...

Porquanto, mal se satisfaça,
(Como te poderei dizer?...)
O fumo vem, a chama passa...

A chama queima. O fumo embaça.
Tão triste que é! Mas, tem de ser...

Amor?... - chama, e, depois, fumaça:
O fumo vem, a chama passa...

Teresópolis, 1911.
Cartas de meu avô
A tarde cai, por demais
Erma, úmida e silente...
A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.

Enternecido sorrio
Do fervor desses carinhos:
É que os conheci velhinhos,
Quando o fogo era já frio.

Cartas de antes do noivado...
Cartas de amor que começa,
Inquieto, maravilhado,
E sem saber o que peça.

Temendo a cada momento
Ofendê-la, desgostá-la,
Quer ler em seu pensamento
E balbucia, não fala...

A mão pálida tremia
Contando o seu grande bem.
Mas, como o dele, batia
Dela o coração também.

A paixão, medrosa dantes,
Cresceu, dominou-o todo.
E as confissões hesitantes
Mudaram logo de modo.

Depois o espinho do ciúme...
A dor... a visão da morte...
Mas, calmado o vento, o lume
Brilhou, mais puro e mais forte.

E eu bendigo, envergonhado,
Esse amor, avô do meu...
Do meu, – fruto sem cuidado
Que inda verde apodreceu.

O seu semblante está enxuto.
Mas a alma, em gotas mansas,
Chora, abismada no luto
Das minhas desesperanças...

E a noite vem, por demais
Erma, úmida e silente...
A chuva em pingos glaciais,
Cai melancolicamente.

E enquanto anoitece, vou
Lendo, sossegado e só,
As cartas que meu avô
Escrevia a minha avó.
Madrigal
A luz do sol bate na lua...
Bate na lua, cai no mar...
Do mar ascende à face tua,
Vem reluzir no teu olhar...

E olhas nos olhos solitários,
Nos olhos que são teus... É assim
Que eu sinto em êxtases lunários
A luz do sol cantar em mim...

2003-03-11

The naming of bikes


Tamara's new bike was named "Red Dragon" today, mine answers by "Blue Angel". The naming of bikes is a difficult matter...

The Naming of Cats
in Old Possum's Book of Practical Cats
by T.S. Eliot

The Naming of Cats is a difficult matter,
It isn't just one of your holiday games;
You may think at first I'm as mad as a hatter
When I tell you, a cat must have THREE DIFFERENT NAMES.

First of all, there's the name that the family use daily,
Such as Peter, Augustus, Alonzo or James,
Such as Victor or Jonathan, George or Bill Bailey--
All of them sensible everyday names.

There are fancier names if you think they sound sweeter,
Some for the gentlemen, some for the dames:
Such as Plato, Admetus, Electra, Demeter--
But all of them sensible everyday names.

But I tell you, a cat needs a name that's particular,
A name that's peculiar, and more dignified,
Else how can he keep up his tail perpendicular,
Or spread out his whiskers, or cherish his pride?

Of names of this kind, I can give you a quorum,
Such as Munkustrap, Quaxo, or Coricopat,
Such as Bombalurina, or else Jellylorum-
Names that never belong to more than one cat.

But above and beyond there's still one name left over,
And that is the name that you never will guess;
The name that no human research can discover--
But THE CAT HIMSELF KNOWS, and will never confess.

When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in a rapt contemplation
Of the thought, of the thought, of the thought of his name:
His ineffable effable Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.