2005-10-03

Brincadeiras de adulto

Leio sobre a liberdade e as leis. Comento o livro, interessado. Notas nas margens, sublinhados, setas, cantos marcados. Critico, proponho, alegro-me ao descobrir a frase certa, o argumento perfeito, a metáfora ideal. Afundo-me na argumentação mais densa. Relaciono com trexos do texto anteriores. Descubro supostas contradições. Imagino-me autor, escrevendo de novo, e melhor, sobre a liberdade. Ilusão comum, reconheço. Levanto os olhos e vejo o mar a bater no rolo, a água a cair em cascata pelas arribas. Uma beleza aleatória, inumana, quase anti-humana, de tão clara que deixa a nossa irrelevância. Não servimos para coisa alguma. Nem a palavra "servir" tem sentido.

Água a cair. O universo é nada.