Fragilidades
Aqueço entre as minhas as mãos frias da vizinha. Deitei-a na cama, depois de lhe vestir um casaco. Entrei em sua casa usando a chave que me passou pela janela, em equilíbrio precário sobre uma vassoura. Foi a Mónica que me avisou dos seus gritos, da sua confusão. Agora, espero o seu irmão, que chegará nervoso, quase tão confuso como ela. É a mesma vizinha que nos acusou de vir mudar os hábitos do prédio quando para aqui mudámos. Nunca fui capaz de ultrapassar esse acto de antipatia, apesar da forma quase simpática com que desde então ela nos trata e pergunta pela família e, sobretudo, pelo João. Até hoje. Somos frágeis, muito frágeis.

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