2005-12-22

Vidas erradas

Ele branco. Ela preta. Ele de gorro, meio hippie, imerso no convencionalismo boçal do lanche de Natal dos escuteiros. A sua roupa é uma declaração de diferença. De superioridade. O seu casamento também.

Misantropia

Talvez tenha sido a observação do mundo, a descoberta da absoluta mediocridade de tudo e todos que me tenha libertado da timidez. Ou melhor, que a relegou para as raras ocasiões em que quem me rodeia tem um mínimo de inteligência, de interesse, de brilho. O resto é inútil, trivial, inconsequente, profundamente estúpido. Um cacarejar constante de palavras inúteis, meras descrições de actos triviais, mecânicos. Tudo é liso. Tudo é superficial. Até a profundidade que raramente se julga encontrar não passa de ilusão.

Os adultos, atarefados, preparam a mesa para o lanche de Natal dos escuteiros.

Em breve todos estarão mortos. Deles só os genes nos descendentes, que perpetuarão a sua irremediável imbecilidade.

Para que haja paz...

Precisamos de uma guerra. Final. Total. Então descansaremos. Em paz.

Somos humanos por sermos maus. A maldade define-nos. Sem uma mudança de natureza, é incurável. Enquanto houver um humano haverá guerra.

(A resposta que não dei na festa de Natal dos escuteiros.)