Talvez tenha sido a observação do mundo, a descoberta da absoluta mediocridade de tudo e todos que me tenha libertado da timidez. Ou melhor, que a relegou para as raras ocasiões em que quem me rodeia tem um mínimo de inteligência, de interesse, de brilho. O resto é inútil, trivial, inconsequente, profundamente estúpido. Um cacarejar constante de palavras inúteis, meras descrições de actos triviais, mecânicos. Tudo é liso. Tudo é superficial. Até a profundidade que raramente se julga encontrar não passa de ilusão.
Os adultos, atarefados, preparam a mesa para o lanche de Natal dos escuteiros.
Em breve todos estarão mortos. Deles só os genes nos descendentes, que perpetuarão a sua irremediável imbecilidade.