2005-09-22
2005-09-04
Galeria
Somos todos iguais. Gostava de ser o Quino e fazer uma galeria de tipos humanos. Um pequeno caderno bastava.
Destruição
Olho condescendente as crianças atarefadas, transportando baldes de areia e água, construindo muros, destruindo montes, abrindo e tapando buracos, moldando a areia, vendo a água apagar para sempre o seu trabalho. Tola condescendência. Toda a nossa vida construímos os mesmos castelos na ilusão de que é possível construir alguma coisa. As ondas do tempo são mais lentas que a nossa vida. É fácil a ilusão. Nem precisamos da ingenuidade infantil.
Solidão
Quem é a mulher que brinca com o cão, que lê um bom livro, deitada na toalha, que sorri satisfeita? Satisfeita? Chorará, à noite?
Fragilidades
Não haver um corpo onde me deitasse, como o meu filho no meu se deita, onde pudesse ressonar, tranquilo, como ele sobre mim ressona.
Convalescença
A longa convalescença, de duração desconhecida... A espera pelo fim, pelo momento em que dizemos "Basta! Acabou!". Curámo-nos? Melhorámos? Ou adaptámo-nos a uma aceleração brusca da nossa degradação contínua até à morte? As doenças matam-nos e ensinam-nos a morrer. Aos poucos.
Pequena perfeição
Linda e perfeita. Delicada. Frágil. Agora, todos me parecem grandes, feios. Grotescos.
