Cansaço
Ruídos ao longe. A sala fria. Um vizinho que martela um prego na parede, sob os meus pés. Os olhos desfocam-se-me, procurando o infinito, ou o nada, atrás do ecrã. O João dorme. Adormeceu em paz, ao meu colo, na ignorância do meu cansaço, da minha ausência de esperança, do meu vazio. Pesa-me o corpo e pesa-me a mente. Os dedos descaem sobre as teclas e sobre os botões do rato. É preciso um esforço consciente para os levantar.
